quarta-feira, 10 de junho de 2009

Final da Copa do Brasil, parte I

Por que o Inter não é nenhum bicho-papão

Fala-se muito sobre o time do Internacional. De fato, merece todo o nosso respeito. Nós, corintianos, sabemos muito bem o que Nilmar pode render. Nos deu um título nacional em 2005. Jogou muita bola com o manto alvinegro. Também sabemos muito bem sobre o futebol de D’Alessandro (prefiro não me aprofundar no tema).

Mas vamos analisar o Inter-2009, campeão gaúcho invicto. Peguemos a campanha colorada no Gauchão. Exceção feita às vitórias sobre o Grêmio, nenhum outro resultado merece qualquer menção. Enfrentar o Ypiranga, o Zequinha, o Brasil de Pelotas não é termômetro para nada. Até o Botafogo os venceria.

Deixemos, então, o Gauchão de lado (com um pequeno asterisco por ter vencido o Grêmio mais de uma vez). Vamos nos deter ao Campeonato Brasileiro. Na primeira rodada, contra o time B (quase C, pois uma ou outra peça era terceira opção para a posição) do Corinthians, o Inter marcou aquele golaço com o Nilmar e teve apenas mais duas chances claras de gol. No segundo tempo, chegou mesmo a ser envolvido por um punhado de jogadores alvinegros sem qualquer entrosamento.

Dos quatro jogos seguintes do Inter, apenas um mostrou realmente que o elenco colorado é forte: a vitória sobre o Palmeiras com o time reserva. Sim, porque vencer Goiás e Avaí não é digno de nota (assim como o Corinthians, ao vencer o Barueri com o time mesclado).

Contra o Cruzeiro, na última semana, uma análise em separado deve ser feita. Se o Inter conseguiu brigar de igual para igual com o Cruzeiro, muito se deveu ao fato de Kléber ter sido expulso (não entro no mérito da justiça ou não do cartão vermelho).

Voltamos, então, nossas atenções para a Copa do Brasil. Rondonópolis, União-MT e Guarani (série B do Paulistão) não merecem qualquer respeito. As vitórias contra o Náutico talvez só mereçam destaque pelo sucesso nos Aflitos – não é fácil vencer lá.

Em seguida, sim, o Inter teve desafios duros. Contra o Flamengo, se classificou naqueles detalhes dos Deuses do futebol. O gol de falta de Andrezinho foi tão improvável quanto a infração que originou o gol. Uma maluquice. Se o Flamengo já estivesse com Adriano em campo, o Inter certamente teria sido despachado. Nos quatro tempos dos dois confrontos, o Flamengo foi melhor em três (os dois do Maracanã e o segundo tempo em Porto Alegre).
Mas é aquela coisa: time que tem Nilmar, Taison e D’Alessandro não precisa ser melhor todo o tempo. Só precisa de dois ou três ataques para fazer o resultado.

No embate contra o Coritiba, novamente, igualdade total. E desta vez os colorados precisam mesmo se preocupar: se o Flamengo tem reconhecidamente um bom time (diria ótimo do meio para trás), o Coxa não pode meter medo no elenco apontado como o bicho-papão. E nos quatro tempos dos dois jogos, acredito em superioridade do Coxa em dois tempos, pelo menos. E olha que essa opinião eu ouvi de três colorados em conversas travadas no Rio Grande.

Diante dessa curta retrospectiva, podemos constatar que o Inter fez 9 jogos de ponta na temporada (dois clássicos com o Grêmio no Gauchão, Náutico nos Aflitos, os quatro embates com Coritiba e Flamengo, além do enfrentamento dos reservas contra o Palmeiras e dos titulares contra o Cruzeiro).

Exceção feita ao jogo com o Náutico, em todas as demais pelejas o colorado sofreu grandes riscos e poderia mesmo ter saído derrotado – como ocorreu contra o Coxa. Se o Inter fosse mesmo o bicho-papão sobre o qual se fala, haveria mais goleadas, vitórias mais tranquilas e menos pressão adversária.

Mesmo assim, aponto favoritismo aos colorados na final da Copa do Brasil. Acho que tem 60% de chances de ficar com o título.

Na segunda parte deste texto, a grande fraqueza corintiana.

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