Por que o Inter é favorito diante do Corinthians
Depois de mostrar aos ilustres especialistas da bola os motivos que me levam a crer que o Inter não é nenhum bicho-papão, tento neste texto mostrar quais são os motivos que me levam a ficar preocupado com a final da Copa do Brasil (a quem não sabe, sou torcedor do Todo-Poderoso Timão). E a dar ao Colorado 60% de chances de vitória.
E os problemas do Corinthians não estão no treinador (um dos melhores do Brasil hoje, se não o melhor), no elenco do clube ou na diretoria. E também não é a torcida, fonte contumaz de oba-oba ou pressão excessivas sobre o time em momentos cruciais.
O grande problema da equipe do Corinthians no atual momento está em sua maior virtude: a confiança. O alvinegro do Parque São Jorge é, hoje, o time mais confiante do futebol brasileiro. E isso pode ser medido em todos os combates importantes pelos quais o time passou (sempre com sucesso) até o presente momento, em 2009.
O Corinthians acredita demasiadamente em sua capacidade de decidir o jogo e ainda mais na sua solidez defensiva. O goleiro Felipe, os zagueiros Chicão e Willian e os laterais André Santos e Alessandro formaram a melhor defesa dos últimos quatro campeonatos disputados pelo clube: dois Paulistas (2008 e 2009), a Copa do Brasil de 2008 e a Série B.
No ataque, a chegada de Ronaldo para formar dupla de ataque com Dentinho – e ambos alimentados pelos excelentes Elias e Douglas – terminou por dar ao ataque o mesmo nível do complexo defensivo.
Esse excesso de confiança pode ser visto nas recentes batalhas corintianas. No mata-mata contra o São Paulo, no Paulistinha, o Corinthians se postou com foco nos contra-ataques como se não estivesse diante do tricampeão brasileiro. E o time impressionou pela robustez com que venceu os bambis duas vezes.
Em seguida, no duelo contra o Santos, a superioridade chegou ao nível de arrogância com os gols antológicos de Ronaldo no primeiro jogo. É bom lembrar que, antes de o Fofão meter aquelas duas bolas, o Corinthians sofreu uma das maiores pressões já vistas na história recente do futebol. E o gol do Santos ainda foi contra! No segundo jogo da final, a mesma coisa. O time se preparou para os contra-ataques e simplesmente não deu bola para a pressão do peixinho da baixada.
Veio o título e a fase mais importante da Copa do Brasil. O filme se repetiu contra Fluminense e Vasco. No segundo jogo com os cruzmaltinos, o 0x0 em São Paulo, toda a pressão sofrida foi friamente calculada. E é uma frieza que mata qualquer torcedor do coração. Minha impressão é de que o time sabe que vai agüentar qualquer esmagamento do adversário.
E esse é o meu medo contra o Inter de Porto Alegre. Tenho absoluta certeza de que, no Beira-Rio, onde será o segundo jogo da final, a equipe entrará atrás, fechadíssima, de olho nos contra-ataques. Mas o ataque colorado formado por D’Alessandro, Nilmar e Taison não é Pimpão-Carlos Alberto, não é Borges-Washington, não é Neymar-Madson-Kléber Pereira.
Talvez aí esteja o caminho para o título do Inter: o excesso de confiança do elenco corintiano. Não sei se dessa vez a defesa suportará a pressão.
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