Da equipe do CBET
Sábado de tarde é uma espécie de horário nobre na agenda de qualquer cidadão que se preze.Momento de decidir qual vai ser a infalível programação do melhor dia da semana. Não sabemos de vocês, mas dois dos integrantes deste CBET (mais tarde descobrimos que havia um terceiro elemento infiltrado nas arquibancadas) tiveram a chance inédita de assistir in loco a uma peleja decisiva valendo vaga na Segunda Divisão do Campeonato Metropolitano, entre o Botafogo-DF e o Brazsat.
Em campo, na verdade, a principal e única atração. O motivo principal para que umas mil e quinhentas pessoas (segundo as estimativas indulgentes do CBET) saíssem de casa e priorizassem este überevento cabalístico: ele, Túlio Maravilha, o folclórico artilheiro da camisa 900 – uma alusão à sua meta de chegar aos 900 tentos marcados como profissional (segundo, claro, suas próprias contas).


Não podemos considerar inteligente a escolha da gerência de bares do Mané, que colocou um pobre coitado para vender bebidas de frente pro sol. Onde só os universitários e o holandês estavam. Para ajudar, fiz um sacrifício, e gastei (mais) três reais para ele poder se orgulha de dizer que, mesmo com as adversidades, conseguiu vender uma Skol geladinha.(NR: Fazendo jus à fama do craque que batiza o estádio, Daniel Almeida de Farias Brito foi
Gelado, também, era o dindin da D. Neide. O de cupuaçu com leite, por exemplo, custava R$ 1. Usamos táticas costarricenses para negociar um desconto, mas ela não quis nos vender por menos que isso. “Ainda bem, porque eu nem gosto de cupuaçu mesmo”, desdenhou Daniel.

As senhorinhas com caras sofridas de botafoguenses veem o tempo passar em meio à insistente batucada botafoguense.

O pequeno Victor brinca de escalar as confortáveis bancadas de concreto do Mané.


Sob os olhares atentos do mais ilustre botafoguense que integra as fileiras deste site (das cadeiras, ele foi visto com um semblante deveras apreensivo pela equipe de reportagem do CBET), Túlio marcou o seu octingentésimo nonagésimo segundo gol da carreira (segundo seus próprios cálculos, sempre lembrando).

É um sinal de que o jogo da volta, lá na boca do Tigre, também conhecido como Cave, vai ser uma bomba. 
Apesar do jejum de vitórias e títulos de seu primo rico do Rio de Janeiro, o Botafogo carioca tem um público de peso (muito peso), que apoia a filial do Distrito Federal.
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| De Botafogo-DF x Brazsat 03-10-2009 |
Mas como a alma alvinegra, com suas idiossincrasias e preferências um tanto questionáveis, não muda, a torcida local não deixou por menos e mostrou toda a riqueza, a poesia, o alto nível e um conhecimento musical invejável antes da peleja se iniciar. O CBET foi lá. E registrou tudo.
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| De Botafogo-DF x Brazsat 03-10-2009 Dentro das quatro linhas, é bem verdade (babuuuuita verdade) que o alvinegro teve sua missão facilitada neste sábado porque Jocelmo, o capitão do Brazsat, adversário da semi, estava supenso. Aproveitou a folga forcada e levou o filhinho, flameguista forçado, para o estádio. |
Como o mando de campo era do Brazsat, os diretores do time – se é que tem diretor no Brazsat –, colocaram o preço do ingresso mais barato a R$ 10. O que prejudicou na renda, já que teve gente que deu um jeito de assistir à partida de grátis. No final das contas deu para tirar uns trocados com a apaixonada torcida alvinegra. Mas o
estádio não era só botafoguense.
Em tempos de desespero alvinegro, a comunidade espírita fez sua parte e ocupou todas as dependências do anel inferior do estádio Manoel dos Santos. Como pode ser conferido e atestado neste vídeo feito com exclusividade pela equipe de reportagem do CBET.
Aliás, apesar de ser um time COM fins (e meios) lucrativos, registrou-se a presença de um (sic) bom público espontâneo no Mané Garrincha para incentivar o adversário do Fogão. É o caso dos três estudantes da UnB. Eles são amigos do preparador físico do Brazsat e foram ver na prática como está o condicionamento da equipe.
E o holandês, que é ‘amigo do Alex do Brazsat’, e orientava alguns atletas do time. Diz-se por aí que o time com nome de antena parabólica fez pré-temporada na Europa. O galego disse que trabalhava para o Veendam, sexto colocado no campeonato holandês da segunda divisão. Inteligente da parte dele ficar do lado de lá do Mané, já que a torcida botafoguense estava toda na sombra. E outra: um gringo que vem para o Brasil e volta para Europa sem a pele torrada de sol não pode dizer que veio aos trópicos.
responsável pelo consumo de 76,4% das bebidas alcoólicas comercializadas no Mané
Garrincha).
Esse Botafogo-DF só pode ser chamado de Botafogo mesmo por causa do Túlio. Tudo bem que a diretoria no Rio ajuda de alguma maneira ao time aqui no Guará, mas sem ele a história seria outra. Ou você acha que a Fúria foi ao Mané para torcer pelo centroavante Leo Guerreiro, o lateral-direito Klein ou meia Píu?
Pode ver que a imprensa (que está em grande forma, diga-se) só tem interesse em entrevistar ele.
A criançada posa para foto entre um pique-pega e outro.
Quem leva a sério mesmo são os botafoguenses legítimos. Eles encaram a semifinal do torneio local como se fora o time de Garrincha, Vavá, Nilton Santos & Cia no Mundial de Clubes da Fifa, nos Emirados Árabes Unidos.
O que dizer de um camarada como este? Essa tatuagem deve ser mais doída do que qualquer outra. Principalmente às segundas-feiras.
Faltando cinco minutos para o fim do jogo, as testemunhas, apreensivas, tentavam empurrar Túlio Maravilha e cia para cima do adversário. E deu resultado. O artilheiro da alegria correspondeu e matou a pau nos minutos finais. Fez o gol de empate. No maior estilo Thiago Neves (exemplo de caráter, excelente profissional), rolou até dança do creu.
Talvez inspirada pelos eternos capitães da balbúrdia e do chororô Montenegro e Bebeto de Freitas, a diretoria local foi para cima dos humildes reservas do Brazsat que faziam aquecimento perto dos diretores, e os ameaçaram de agressão. O caso foi relatado para o quarto árbitro e agora temos que aguardar a súmula.



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