terça-feira, 8 de junho de 2010

O distraído goleiro do Vasco *


Caros leitores, vocês viram, no último domingo, o jogo do Vasco em que o Santos ganhou de 4 x 0? Vocês viram  quando o inacreditável Fernando Prass, goleiro do Vasco, num lance digno dos melhores momentos de Didi Mocó, soltou a bola distraidamente na sua própria área para que o jogador adversário a roubasse como quem rouba o sorvete de uma múmia?

Pois saibam que depois desse jogo, Fernando Prass entrou no vestiário, tirou o uniforme vascaíno para tomar banho e percebeu que estava entre os jogadores do Santos, ele errou de vestiário. Desculpou-se e foi para o do seu time onde tomou banho, vestiu a cueca ao contrário e foi pra o aeroporto embarcar para o Rio de Janeiro com a delegação. Fernando Prass errou o portão de embarque e foi parar em Cuiabá. De madrugada, trocou a passagem e finalmente o embarcaram para o Rio. Ao chegar em casa, Fernando Prass viu Dona Fifi, sua vizinha, sentada no sofá fazendo tricô. Dona Fifi disse: meu filho, você se enganou de apartamento de novo, o seu é 302.

Fernando Prass é assim mesmo distraído, ainda bem que ele é goleiro e não domador de leões. Como sabemos de tudo isso? Depois do lance bizarro que resultou no primeiro gol santista, o Brasil descobriu algo sobre o goleiro do Vasco que muitos ainda não sabiam: ele tem um transtorno neurobiológico, o DDA, Distúrbio do Deficit de Atenção. Todos que assistiam ao jogo, no estádio ou pela TV, foram unânimes no diagnóstico. É que, além de técnico de futebol, todo brasileiro também é neuropsiquiatra.

No exame feito pelos neuropsiquiatra-torcedores, ficou claro também que o restante do time do Vasco tem outro transtorno neurológico: é o DIB, Déficit de Intimidade com a Bola. O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, tem DCA, Deficit da Capacidade Administrativa, e o Vasco, em si, tem Deficit de Caixa, DC. A terapêutica indicada para curar o Vasco é contratar jogadores a altura das tradições vascaínas. Para os torcedores, é preciso administrar altas doses de antidepressivo, qualquer um serve.  

* Texto publicado no Correio Braziliense 

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